Este lugar está realmente cheio, mas me sinto sozinha. Estou em uma festa, mas não consigo assimilar o que as pessoas falam. Nada faz sentido, e não me encaixo na conversa por mais que eu tente. Não consigo me enturmar e não quero parecer falso. Prefiro me isolar. Ainda que todos estejam perto de mim, estou distante deles. Minha alma flutua. Não sou dali.

Volto para casa com a esperança de que, finalmente, encontrarei o lugar com que a minha alma se apraz. Meu lar doce lar, meu canto, meu quarto, meus cobertores, meus livros... e, talvez, um café bem quente. Acho que uma música cairia bem. Um bom filme mais tarde, quem sabe? É isso, agora tudo ficará bem.

Peguei um livro que há muito tempo gostaria de ler. Ele estava na minha estante todo empoeirado, até que enfim poderei lê-lo. Deitei na minha cama com o livro nas mãos e com aquela ansiedade costumeira de viajar numa nova aventura. Mas, falta-me algo...

Antes de começar a ler, fiz um café para tomar enquanto viajo na leitura, mas o café não esta bom. Está faltando alguma coisa. Açúcar, talvez? Fui até a cozinha e coloquei mais uma colher bem cheia de açúcar. Experimentei e percebi que agora ficou muito doce. Será que pesei na mão? Provavelmente.

Voltei para cama com a xícara de café nas mãos. Resolvi tomar mesmo estando muito doce. Agora sim posso ler o livro que já era para eu ter começado a ler minutos atrás. Começo a ler, mas, desastrada que sou, logo nos primeiros capítulos derrubo o café melado nas folhas branquinhas do meu livro.

Começo a chorar. E agora? Como poderei ler se o livro está todo encharcado e suas páginas cheiram a café? Sujei todo meu pijama e minha cama. Que tragédia! Hoje nada está bom. Está tudo dando errado. Acho que vou tomar um banho e depois limpo essa bagunça.

No banho, me sinto péssima novamente, assim como naquela festa. Mas, por que? Estou na minha casa, o lugar que eu mais gosto de ficar, por que ainda me sinto assim? Queria alguém para conversar, mas não tem ninguém. E se tivesse, eu não falaria nada. Só me resta ficar aqui, calada, com a alma gritando.

Volto pro meu quarto. Limpo a bagunça que fiz. Mas está tudo tão quieto que até consigo ouvir meu coração bater, e isso me assusta. Pego meu celular para colocar uma música que gosto e, talvez, romper esse silencio.

Coloco uma música alegre para ouvir, mas a música é alegre demais e não condiz com a minha realidade. Coloco uma música triste, mas não quero ficar mais triste ainda. Coloco uma música romântica, mas isso me faz lembrar coisas que não quero lembrar. Coloco uma clássica, mas, espera... eu não curto música clássica. Já sei, acho que irei ouvir um rock.

Fiquei ouvindo na expectativa dessa tempestade que aflige meu coração se acalmar, mas a tempestade continua cada vez mais forte e o vazio aumentou. Será que se eu voltasse para a festa, eu melhoraria? Acho que não. Esse vazio parece que não tem fim. Desliguei.

Saio do meu quarto, vou para outros cômodos para ver se encontro algo interessante no caminho, mas não encontro nada. Saio de casa e vou para o quintal. A penumbra da noite, o som dos animais noturnos, a luz da lua e das estrelas parecem tão diferentes e distantes, e eu me sinto tão pequena diante disso tudo.

Volto para casa desconsolada e com o coração apertado. Existe um choro aqui, entalado na garganta. Eu só queria me sentir bem, um pouco de paz dentro de mim. Uma esperança. Uma palavra ou um lugar que eu pudesse descansar. Um grito ecoa aqui dentro, mas as pessoas não sabem ouvir. 

Aparentemente, está tudo bem. Permaneço aqui, caminhando nessa dura estrada da vida, e na esperança de que algo bom esteja por vir.

Já é meia-noite, e nada fiz. Não li, nem ouvi nada... Deitarei para dormir, amanhã é outro dia.


Hoje falarei de um filme que foi lançado ainda esse ano, chamado Mama. Alguém aqui já assistiu? 
        


  Vi alguém falando desse filme na Internet, que o filme era ruim e que não vale pagar o ingresso no cinema para assisti-lo. Considerando que eu até gostei do trailer, com uma pulga atrás da orelha resolvi assistir para ver se o filme era mesmo tão ruim assim.

  O filme começa logo com um “once upon a time”, aquele Era Uma Vez dos contos de fadas, sabe? Nada muito belo e cor de rosa como estamos tão acostumados a ver nas histórias de princesas. O cenário do filme é bem macabro, escuro, só um pouco assustador e é claro que tem aquele toque de suspense no ar, - bem típico dos filmes de terror. 


  A história toda é focada em duas meninas que foram largadas pelo próprio pai, (que por sinal, é Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) De uma maneira estranha, ele leva as crianças numa casinha abandonada no meio da floresta para matá-las. Essa cena é bem cruel até que uma entidade indefinida o impede de fazer isso. O pai das meninas desaparece como num estalo de dedos, e assim, as crianças ficam na cabana escura no meio da floresta entregues ao próprio destino.


  Os anos se passaram e o irmão do pai das garotas, Lucas, resolve tentar procurar as sobrinhas. Ele as encontra e decide assumir a responsabilidade de educa-las. As meninas voltaram estranhas, cavernosas, tinham costumes de animais e por onde andavam algo se arrastava atrás delas: uma entidade que elas a chamavam carinhosamente de Mama. Mama é “mãe” das garotas e não admite que ninguém se aproxime delas. 


  O problema é que de agora em diante as meninas serão cuidadas e educadas por Lucas e Annabel, e confesso que a partir desse momento comecei a achar engraçado a “atuação” de Mama no enredo. Ela tem ciúmes das meninas, porque “cuidou” delas durante 5 anos naquela casinha no meio da floresta. Inclusive, tem uma cena bem cômica da menina mais velha dizendo para Annabel parar de se aproximar tanto assim dela e da sua irmãzinha, porque Mama não iria gostar. Achei meio tonto mas ok. 

  A partir daí cenas bem clichês que já estamos acostumados a ver nos filmes de terror também acontecem, levando-nos a torcer um pouco o nariz.
Coisas nada originais acontecem. Sem contar no fantasma, que chega a ser mais engraçado do que assustador com o seu visual bem tosco - de longe parece uma mendiga magrela e de perto parece um defunto que ainda está em decomposição. Veja aqui

  O final é tão idiota que cheguei a dar risada. Esse filme de terror foi o único que me deixou com dó do monstrinho, pois colocaram sentimentalismo no final! Converteram sutilmente o horror para um tom meio dramático de “amor de mãe”. Poxa, mais um filme de terror que me decepciona. O final poderia ter sido um pouquinho melhor, já que o filme foi tão repetitivo.

            



  E é isso, comprovei o comentário negativo que fizeram do filme. Realmente não vale muito a pena assistir. Pra quem nunca ou raramente assiste filmes de terror até que Mama dá medo, mas para quem já assiste esses filmes há anos, tudo que se têm produzido atualmente não passa de café requentado.





Sei que Stephen King é luxo para as histórias de terror. Pura grife!

Esse cara é considerado "o mestre". E eu concordo.

Como a maioria das pessoas (e é uma pena dizer isso) o conheci através das muitas adaptações para o cinema feito dos seus mais preciosos e famosos livros. E confesso que ele é o grande culpado pelo meu medo de palhaços. uahsua

Todas as resenhas que li deram nota máxima e juraram que o livro é ótimo, um dos únicos dele sem terror, sem clichês (coisa que eu odeio) e de uma originalidade nota 10, apesar de algumas pessoas desinformadas falarem que Sob A Redoma é cópia daquele filme chato dos Simpsons.

Falando da estrutura do livro: A capa é linda. O título brasileiro é fiel e original ao título americano Under The Dome. O livro tem quase 1000 páginas e é super pesado. A diagramação é boa e as páginas são meio amareladas. Não existe nenhuma ilustração quando a história começa a ser contada, porque bem no comecinho do livro (nas primeiras páginas) o autor sugere um mapa da cidade para os desencaminhados de plantão – eu mesma , e uma lista enorme de personagens principais e não-tão-principais-assim para os avoados de plantão – eu também. 

Nesse livro, nós iremos conhecer Chester’s Mill, uma cidade muito pequena e pacata no Maine. Logo no começo, uma redoma surge do nada deixando a cidade isolada do restante do mundo. A partir daí, quem está dentro da redoma não sai mais, quem está fora não entra, e quem está logo abaixo da redoma no momento que ela cai é cortado ao meio. 

Interessante pensar que a grande questão do livro não é a redoma, mas sim o que acontece sob ela. O título está corretíssimo, e talvez por essa ideia de “Redoma”, somos condicionados a pensar nos feitos sobrenaturais que podem acontecer no decorrer da estória. Não! A Redoma cai e ela fica ali, parada. Nada sobrenatural depois disso. O enredo não fala sobre a redoma que cai misteriosamente, nem sobre o que acontece no clima da cidade e sim o que acontece debaixo dela, cujo foco são as reações humanas na hora do sufoco. O que vemos é a realidade e a consequência que a queda da redoma fará na cidade e na população de Chester’s Mill. 

O que dá o mérito do livro é a profundidade dos personagens. A maioria são donos de personalidades únicas. O autor os expõe muito bem. Não importa se o tal personagem vai morrer na próxima página, essa morte precisa ter fundamento. Logo no começo, o autor deixa claro quem são os bonzinhos e quem são os vilões. Nada de sutileza.

 A história é focada em três grupos: A “turminha” vilã de Big Jim Rennie, os amigos de Joe Espantalho e a turma a favor de Barbie (Dale Bárbara), o mocinho da história.

Falando um pouco dos personagens: Big Jim Rennie é um vilão que dá gosto de ver. Aquele de tirar o chapéu. Você não sabe se o ama ou odeia por ser tão desgraçado. O cara é o segundo vereador da cidade, um fanático religioso e que usa a religião como desculpa para manipular a população, ou melhor dizendo, os seus “fiéis”.  Ele é louco, sociopata, tem fome de poder e é capaz até de matar para conseguir o que quer. Até os policias, (aqueles a quem deveríamos confiar) são pau mandados de Big Jim, e eles fazem atrocidades por conta própria, usam da autoridade pra se aproveitar das pessoas.

Ele tem um filho, Junior, que segue os passos do pai. Não vale um tostão furado também. Junior, é um doente lunático meio psicopata, abandona a faculdade e logo se intromete em brigas com Barbie. Sem medo de errar digo que as passagens dele no livro são muito cômicas. Na verdade, a história toda tem um ar meio cômico que alivia bastante as cenas mais pesadas, porque sem querer assustar quem ainda não leu: o livro tem muito sangue, muita morte e assassinato.

Barbie, um cozinheiro e aposentado soldado do exercito. Julia Shumway, uma jornalista muito carismática e dona do único jornal da cidade. Rusty Everett, que trabalha como auxiliar no hospital, e a sua esposa policial chama-se Linda. Esse é o lado bonzinho da história. Seria novidade dizer que é o lado que mais sofre na história? Acho que não, né? Tem o Duke, chefe de polícia. Andrea Grinnell – que apesar de ser a terceira vereadora da cidade, não se opõe contra Big Jim porque ela é totalmente viciada em drogas. Tem o Andy Sanders, o primeiro vereador da cidade, que é tão inteligente quanto a marmota que é cortada ao meio quando a redoma cai. Andy Sanders foi o que mais me irritou durante quase toda a história.


O que eu mais gostei foram os adolescentes. Sem duvida nenhuma eles foram os melhores. Toda a parte de aventura no livro para descobrir o que é a tal redoma, qual o motivo e o porquê, é feita por eles, e nós nos aventuramos juntos. Vamos descobrindo aos poucos, com Joe e Norrie e Benny Drake, pistas sobre o que pode ser essa coisa que deixou todo mundo na cidade assustado. Não são aqueles adolescente chatos como na maioria dos livros adolescentes são.

Falando um pouco do final: Desde o começo da história as minhas expectativas estavam nas alturas, e no fim ele deixa algumas pontas soltas e conclui a história de um jeito meio “Sério? É isso?” Os embates que o autor tanto insistiu desde o começo não acontecem, e eu fiquei com um “vazio” porque a tão esperada “que a justiça seja feita” não aconteceu. Não só a explicação da redoma como o destino de alguns personagens. Senti que o final não foi bem "finalizado". Contudo, deve ser o estilo do autor deixar perguntas sem respostas.

Gostei muito do jeito que o autor escreve e divide a história. Ele dá varias frentes narrativas no começo, que são meio desligadas *por enquanto*, mas que depois tudo vai se encaixando. A história é dividida em partes e dentro de cada parte tem breves capítulos. Apesar de o livro ser enorme, a narrativa é tão boa que não conseguimos parar de ler. O ritmo é muito acelerado. Eu não sei se Stephen King é assim nos outros livros, mas sempre que eu terminava uma parte do livro sentia que tinha que ler mais, porque ele sempre deixava um “buraco” e uma pista pro próximo capítulo ou parte, os tais "mini-spoilers". No final a leitura se torna mais acelerada do que já é. Você não quer nem dormir e comer, esse livro te rouba de você mesmo. Sob A Redoma realmente se move com tanta rapidez que deixa o leitor quase paralisado.

Outra coisa que eu achei GENIAL: King narra o fato mais importante da história por uma marmota. Gente, uma *marmota*. E não apenas isso, a história, às vezes, é narrada pela percepção de um cachorro. Nunca vi isso! O autor conseguiu conquistar o leitor fazendo um animal narrar uma parte da história pela própria visão. Completamente fora do comum.

Ah, a leitura é muito pesada. Se torcer sai sangue. Mortes, assassinatos, suicídios, estupros e até necrofilia. Isso mesmo, necrofilia. Dá pra imaginar agora o quanto esse livro é pesado²? A linguagem do livro é bem fácil e tem muito palavrão, que aliás isso não é uma crítica, se a editora Suma de Letras tivesse cortado os palavrões nada teria graça. O que deu mais realidade nas cenas foram os palavrões. Não consigo imaginar Junior e seu amigos não falando palavrão. (Mesmo eu não gostando de palavrões, nesse livro, foi necessário) 

A história no geral é muito boa. O autor pega um fato e vai passando por todos os (muitos) personagens e no final volta para o fator inicial. É como se ele fizesse uma varredura. Os personagens são literalmente "varridos" e depois disso o autor volta com o resto (com o que sobra) para a premissa básica da história que é a tal Redoma. Falaram que não era terror, mas é sim: um terror psicológico. Originalidade nota 100000000! Narrativa espetacular. O autor se preocupa até com detalhes médicos, jornalísticos e policiais.

Fizeram uma série que ainda está na primeira temporada, e pra quem leu o livro não vai ficar muito satisfeito com tanta diferença. Mas parece que o próprio autor quis assim: ok.

Devo ter me delongado muito na resenha, mas.. um livro de quase mil páginas e com uma história espetacular recheada de detalhes, não há como explicar tudo isso em apenas 4 estrofes. 

Por fim, é isso! Até a próxima. (:







O filme é interessante, mas coloquei expectativa demais. A culpa foi minha. No meu mundo Renato Russo era bem mais “rebelde” e “inquieto”, e no mundo de vocês?

Mesmo me sentindo órfã de um verdadeiro Renato Russo e de um final que me fizesse sair do cinema um pouco mais satisfeita, o filme cumpriu bem o que havia prometido. Não há muito bem do que reclamar e levando em consideração do trailer ter mostrado muito mais do filme, acho que isso justifica a expectativa que coloquei. O final não poderia ser outro. 
  
A história é muito bem contada sobre a relação que ele tinha com a família e amigos, e como tudo começou com sua ideia inicial: Aborto Elétrico. O filme mostra um Renato emotivo, um tanto inseguro com seus relacionamentos, porém, uma pessoa muito forte, bem como ele enfrentou as críticas do público daquela época com o seu estranho e repentino aparecimento nos palcos.

 Achei desnecessário todo aquele enfoque que deram para a “amizade” de Renato Russo com Aninha. Esse destaque desperdiçou um pouco de tempo no filme. Sem dúvidas essa parte da vida do Renato foi importante, Aninha representava ali todas as mulheres que passaram na vida dele, mas
todo aquele cenário de novela mexicana e a dose de atenção que foi dado para isso no filme, ficou forçado.

Como disse, o filme cumpriu o que havia prometido. A ideia era mostrar apenas a juventude do Renato e como tudo começou antes mesmo do Legião Urbana. Ok, mas que faltou um Renato com mais atitude, faltou sim. A insegurança dele no filme me assustou um pouco. Será que ele era mesmo tão inseguro assim? Será que ele era tão “afeminado” daquele jeito? Tem algumas partes que cheguei até a dar risada do Renato "macho" cantando e tocando, chutando o pau da barraca e brigando com um dos integrantes da banda, e o Renato "fêmea" quando descobriu a morte de John Lennon ou quando fala pros pais que também gosta de meninos.

Apesar de tudo, o que eu realmente gostei foi o fato do ator Thiago Mendonça não ter dublado as partes cantadas do filme. Thiago Mendonça me lembrou bem o Renato, tanto na aparência quanto na voz. Ele cantou e encantou. Não foi imitação, foi pura interpretação. Vi nele um Renato personificado. Creio que isso foi uma das coisas que ajudou a salvar o filme.

 Li outras resenhas e críticas e pude perceber que a grande massa está dividida. Há quem tenha gostado do filme e quem não tenha gostado. Da mesma forma que eu achei exagero as cenas da Ana, outras pessoas acharam isso bom, que mostra o jeito que Renato era carinhoso com suas amigas. Tem gente que saiu feliz do cinema, outras nem tanto. Enfim, opinião não se discute.




 Por fim, o filme tem um roteiro bem explicativo. É bom para quem não conhece a história da carreira do cantor. Até que achei gostoso de assistir e apesar dos altos e baixos, é o protagonista que concede um gás a mais no filme, que dá aquela sustentação e não deixa ninguém sair da sala do cinema antes de acabar o bendito do filme. Ainda bem que a estrela do filme foi Renato Russo.





                                            
                   

  Evito sempre que posso assistir o filme antes de ler o livro, mas em “Perfume – A História de um Assassino“ foi bem diferente. Quando vi na locadora (sim, locadora ainda existe) simplesmente não consegui evitar, não pude conter o impulso de alugá-lo e obviamente assisti-lo. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa. Joguei a mochila no sofá e já fui seca pro aparelho DVD para assistir. 

  Minha consciência pesou um pouco. Confesso. Não sei se já contei isso aqui (se já, relevem), mas sou “religiosa” quando se trata de ler o livro antes de ver o filme. Porque é bem difícil um filme ser fiel ao livro. E parece que o livro acaba a graça depois que já se assistiu a versão pro cinema. Nunca é bom o suficiente. É claro que cabe aqui algumas ressalvas, como por exemplo, O Poderoso Chefão e alguns outros livros que foram adaptados para o cinema. Contudo, falando da maioria, é exatamente isso que acontece. O público-leitor nunca fica satisfeito com o resultado do filme. Mas, pensando pelo lado de que quando se lê a pessoa está imaginando os personagens, cenas e tudo mais, enquanto no filme tudo isso já existe, não gostar do filme acaba sendo normal. Nas versões cinematográficas, na maioria das vezes (leia-se: todas as vezes) o mocinho(a) da história é totalmente diferente daquele que você já havia imaginado, e assim serve para cenas, espaço e tempo. Outras vezes é acrescentado algo no filme que não existia no livro e o telespectador acaba ficando frustrado. Enfim, são inúmeros fatores que fazem o filme ser ruim, quando se trata de versões de livros adaptados para o cinema, principalmente quando é dublado Kkkkk aí acaba de vez!


  Falando de “Perfume – A História de um Assassino“, o filme foi muito bem feito. Bem diferente, nunca vi nada parecido. Já dá para imaginar que o livro é realmente muito bom, como me informaram. Assisti 3 vezes e em todas elas senti que não poderia estar fazendo outra coisa. Tem uma pitada de mistério no ar, desde o começo do filme até o final. Toda aquela coisa antiga, do século XVIII, que eu gostei  bastante.


  Aparentemente, o filme parece ser muito simples, como mais uma daquelas histórias de um rapaz pobre, sem estudos, que nunca amou ninguém na vida. Apenas mais um cara como tantos outros na grande Paris, pré Revolução Francesa. Mas que observando bem o subtítulo “A História de um Assassino” idealizamos então de princípio, que o filme se trata de um rapaz pobre e revoltado, que tem como passatempo favorito matar as pessoas. Mas não é bem assim.


  Jean-Baptiste Grenouille é um cara diferente dos demais daquela época. Quando nasceu sua mãe já foi para forca. Portanto, ele acabou indo para um orfanato, onde crescia e cada vez mais despertava o “medo” nas outras crianças. Começou a falar com cinco anos. Sempre isolado e ignorado, não sabiam que Grenouille tinha um dom: sentir o cheiro de todas as coisas. Não apenas sentir o cheiro, porque eu também sinto e você também sente, mas esse rapaz, além de sentir, filtrava o aroma e tinha como cada objeto do mundo um cheiro único e próprio. Diferenciava o cheiro de cada coisa ao seu redor. Podia sentir o cheiro de uma pedra debaixo do mar há quilômetros de distâncias. O cheiro de uma mosca voando no céu. Cheiro de ferro, madeira, água, algas, folhas novas e secas de uma árvore. Grenouille não tinha a distinção do que é cheiro bom e ruim, para ele eram aromas e cheiros diferentes, ele se relacionava com o mundo através de seu nariz. Sentia o cheiro de tudo e as reconhecia de muito longe, porém, ele mesmo, Jean Baptiste, não tinha cheiro de nada.


  Fiquei admirada com o peso poético que traz esse filme: O cheiro é a alma das coisas e das pessoas. Para Jean Baptiste a alma dos seres é o seu odor. É toda essa metáfora fantasiosa que nos dá várias interpretações. Foi aí que percebi o toque de romance que tem esse filme, apesar do gênero ser drama. O jovem sem cheiro ficava apaixonado por cada aroma, cada odor que ele sentia. O ponto mais alto no filme é justamente quando Jean Baptiste sente a necessidade de não mais apenas sentir, mas guardar e preservar esses aromas para sempre com ele. O subtítulo começa a fazer sentido a partir do momento que Jean,  freneticamente, começa a matar as pessoas para roubar o cheiro delas. Detalhe: todas eram moças, virgens e lindas. Jean causa medo na cidade. As moças ficavam apavoradas e os pais principalmente. Todos pensavam que esse homem misterioso fosse um estuprador assassino e, além disso, colecionador de cabelos, mas Jean, na sua simplicidade, queria apenas a alma delas. O cheiro.





  “A História de um Assassino“ analisando bem, Jean é mesmo um assassino, contudo, não consigo ver maldade em nele. Claro que cada um faz a interpretação que lhe convém sobre o filme e sobre o personagem, assim como minha mãe que ficou odiando Jean. Não vejo ele sendo o grande “vilão” da história. Essa palavra, se for ver no dicionário, está como: “Pessoa de intenção maldosa”. Jean não era mal, ele não tinha intenção de matar as pessoas, e sim de ter o cheiro das moças pra sempre com ele. Nada mais que um aprendiz sem cheiro. Humilde, louco e apaixonado. Ele poderia ficar rico com esse dom, principalmente em Paris, que já existiam os melhores perfumistas da época, ganhar rios de dinheiro, mas ele prefere a busca pela formula do melhor perfume do mundo. Uma forma no mínimo diferente que ele encontrou de se sentir amado. Ele tinha uma missão de vida: a busca pela alma. Isso é bonito, não é? É a alma que nos dá significado, expressa os cinco sentidos da vida que atua no mundo, que por isso somos conhecidos por sermos quem nós somos. Depois de ter assistido fiquei pensando que hoje em dia ninguém quer saber da essência humana, está todo mundo tão vidrado no que é exterior, naquilo que se vê, naquilo que está esparramado pra fora. Cliché, mas verdade.


Amei esse filme e agora estou mais ansiosa ainda pra ler o livro. Não gostei muito do final, mas foi bem a cara de Jean. Adorei a maneira insana que ele encontrou de roubar o cheiro das pessoas. Bom, eu recomendo. Algumas cenas são tão boas que uma piscada me fez sentir culpa de ter perdido 1 segundo do filme. Espero de coração que eu não tenha me empolgado demais na resenha. Vou ficando por aqui. Até. 




                                           
                                          

Muitos dos meus amigos me recomendavam e diziam que a história é boa e que não há nada parecido com Crepúsculo, já que é a mesma escritora, e mesmo com tantas recomendações eu não estava com vontade de ler. Eu queria mesmo é terminar de ler os livros da minha lista, A Hospedeira pra mim estava fora de cogitação.

Até que no dia do meu aniversário, 22 de Janeiro, eu ganhei justamente esse livro do meu pai. Não sei se fiquei feliz e nem abri, nem cheirei (sim, eu cheiro meu livros. exatamente da forma que imaginou), nem folheei como geralmente estou acostumada fazer quando compro ou ganho um livro, simplesmente guardei com muito cuidado no fundo da minha gaveta. Lá ficou o coitadinho do livro esquecido durante um mês. Resolvi tomar vergonha na cara e ler, mesmo não querendo tanto assim. Confesso que foi difícil no começo, porque além da minha falta de vontade, os primeiros 3 capítulos são confusos demais. Cada vez que eu lia uma página menos vontade eu tinha de ir mais além na leitura. Realmente não queria terminar mais um livro com aquele gosto amargo na boca, de arrependimento, de que eu deveria ter feito outra coisa além de lê-lo. Tempo para mim é ouro. Era uma linha tênue entre continuar lendo e desistir de vez, abandonar o livro e partir pra outra. 

Todo esse processo me aconteceu em Fevereiro e eu já estava aqui no blog, comecei a ver as blogueiras falando e resenhando e amando A Hospedeira. Li algumas resenhas e uma delas dizia que a leitura era mesmo difícil no começo justamente para justificar o meio, que fazia parte do “script”. Pois bem! Continuei lendo mesmo com um pé atrás. E sim, era preconceito sim com Stephenie Meyer. Eu não conseguia pensar nessa escritora sem me lembrar de Crepúsculo, aquela saga sem graça que não me agradou nem um pouco. Respeito quem gosta, me julguem se quiserem mas eu parto do princípio de que quem escreve uma saga daquelas não saberia escrever mais nada que prestasse.

Contudo, fiquei impressionada com a história. Conforme fui lendo, tudo começava a se encaixar perfeitamente como uma luva. Me peguei várias vezes parando e olhando pro lado em êxtase com alguma cena, com o que acabara de acontecer. Superou todas as minha expectativas e do nada, algo me surpreendia na história. As cenas foram muito bem elaboradas e bem descritivas, mesmo não tendo uma variedade de espaço, os ambientes foram muito bem criados. Incrível essa ideia de fazer duas pessoas em uma. Sempre tive vontade de ler alguma coisa que falasse do futuro, principalmente que trouxesse junto esse gênero fictício. E hoje, sem medo de errar, digo que estou apaixonada por cada personagem e cada cena. O tempo que eu ficava lendo toda noite antes de ir dormir, mesmo exausta pelas dificuldades do dia, tirava [no mínimo] meia hora para poder me encontrar com eles novamente. Quando terminei o livro, não sabia se ficava feliz ou triste, meu mundo preferido acabou e infelizmente eu tinha que voltar para a minha chata realidade. haha


Agora falando do enredo, pra quem ainda não conhece, vamos por parte. Imagine que seres de outro planeta invadiram a terra, (mas não são aqueles ET's que estamos acostumados ver tão verdes e cabeçudos, com aqueles olhos esbugalhados e magrelos de ruim), criaturas fofas e delicadas e tampouco são denominados ET's e sim Almas. Criaturinhas pequeninas e prateadas com alguns filamentos; - me lembra ameba ou alguma espécie de polvo. São do bem e vieram para fazer da terra um lugar melhor. 

Eles não são os (vilões?) da história como o trailler do filme mostrou, pelo menos para mim. Eles vieram para trazer a paz, diminuir a maldade no mundo e assim, exterminando não a raça humana mas sim a mente corrupta das pessoas. 
A personagem principal, (Melanie), é capturada, mas algo dá errado e suas memórias não são apagadas, mesmo depois do corpo ter sido hospedado por uma alma chamada Wanda (para alguns) Peg (para outros). Melanie ainda vive presa no fundo da sua própria cabeça lutando para desviar o pensamento para que nada escape sobre o paradeiro da sua família. Melanie é forte e teimosa, vivia brigando com Wanda, bloqueando suas memórias, confundindo-a e jogando memórias do seu passado com Jared (seu namorado). Wanderer é tomada pelas emoções de sua hospedeira e acaba se apaixonando pelo namorado de Melanie. Eu fiquei horrozirada de como a coitada (ou as coitadas) sofrem na mão daquele que tanto ama: Jared. Ela é quase morta várias vezes, espancada e aprisionada. Claro, eu não pude evitar de sofrer junto.

Falando de Jared.... que cara mais chato e sem graça. Fiquei pensando no porque que é ele o mocinho da história e não Ian. Penso que todo livro de romance o objetivo é fazer o leitor se apaixonar pelo mocinho(a), não necessariamente se apaixonar mas ter alguma afeição. E no meu caso isso não aconteceu, muito pelo contrário, achei o cara totalmente desinteressante. Desculpa, mas esse triângulo amoroso que a autora tanto insistiu não fez nenhum sentido para mim.

É melhor eu parar por aqui antes que eu conte a história toda. Nada de spoiler, né? A única crítica sobre a estrutura do livro é que a escrita contém erros, se fossem poucos não teria nenhum problema, mas eram muitos erros e isso me incomodava. O livro é muito longo, demorei bastante para ler, enrola bastante em algumas cenas que poderiam ser mais rápidas. Mas enfim, fiquei feliz por saber que o livro terá uma continuação. Espero que seja verdade,
Foto do filme A Hospedeira

Sobre o filme: que dublagem foi aquela? Melanie com voz de menininha? Jared com quase a mesma voz daquele outro cara do filme Crepúsculo? Para que tá bem feio. kk