Este lugar está realmente cheio, mas me sinto sozinha. Estou em uma festa, mas não consigo assimilar o que as pessoas falam. Nada faz sentido, e não me encaixo na conversa por mais que eu tente. Não consigo me enturmar e não quero parecer falso. Prefiro me isolar. Ainda que todos estejam perto de mim, estou distante deles. Minha alma flutua. Não sou dali.

Volto para casa com a esperança de que, finalmente, encontrarei o lugar com que a minha alma se apraz. Meu lar doce lar, meu canto, meu quarto, meus cobertores, meus livros... e, talvez, um café bem quente. Acho que uma música cairia bem. Um bom filme mais tarde, quem sabe? É isso, agora tudo ficará bem.

Peguei um livro que há muito tempo gostaria de ler. Ele estava na minha estante todo empoeirado, até que enfim poderei lê-lo. Deitei na minha cama com o livro nas mãos e com aquela ansiedade costumeira de viajar numa nova aventura. Mas, falta-me algo...

Antes de começar a ler, fiz um café para tomar enquanto viajo na leitura, mas o café não esta bom. Está faltando alguma coisa. Açúcar, talvez? Fui até a cozinha e coloquei mais uma colher bem cheia de açúcar. Experimentei e percebi que agora ficou muito doce. Será que pesei na mão? Provavelmente.

Voltei para cama com a xícara de café nas mãos. Resolvi tomar mesmo estando muito doce. Agora sim posso ler o livro que já era para eu ter começado a ler minutos atrás. Começo a ler, mas, desastrada que sou, logo nos primeiros capítulos derrubo o café melado nas folhas branquinhas do meu livro.

Começo a chorar. E agora? Como poderei ler se o livro está todo encharcado e suas páginas cheiram a café? Sujei todo meu pijama e minha cama. Que tragédia! Hoje nada está bom. Está tudo dando errado. Acho que vou tomar um banho e depois limpo essa bagunça.

No banho, me sinto péssima novamente, assim como naquela festa. Mas, por que? Estou na minha casa, o lugar que eu mais gosto de ficar, por que ainda me sinto assim? Queria alguém para conversar, mas não tem ninguém. E se tivesse, eu não falaria nada. Só me resta ficar aqui, calada, com a alma gritando.

Volto pro meu quarto. Limpo a bagunça que fiz. Mas está tudo tão quieto que até consigo ouvir meu coração bater, e isso me assusta. Pego meu celular para colocar uma música que gosto e, talvez, romper esse silencio.

Coloco uma música alegre para ouvir, mas a música é alegre demais e não condiz com a minha realidade. Coloco uma música triste, mas não quero ficar mais triste ainda. Coloco uma música romântica, mas isso me faz lembrar coisas que não quero lembrar. Coloco uma clássica, mas, espera... eu não curto música clássica. Já sei, acho que irei ouvir um rock.

Fiquei ouvindo na expectativa dessa tempestade que aflige meu coração se acalmar, mas a tempestade continua cada vez mais forte e o vazio aumentou. Será que se eu voltasse para a festa, eu melhoraria? Acho que não. Esse vazio parece que não tem fim. Desliguei.

Saio do meu quarto, vou para outros cômodos para ver se encontro algo interessante no caminho, mas não encontro nada. Saio de casa e vou para o quintal. A penumbra da noite, o som dos animais noturnos, a luz da lua e das estrelas parecem tão diferentes e distantes, e eu me sinto tão pequena diante disso tudo.

Volto para casa desconsolada e com o coração apertado. Existe um choro aqui, entalado na garganta. Eu só queria me sentir bem, um pouco de paz dentro de mim. Uma esperança. Uma palavra ou um lugar que eu pudesse descansar. Um grito ecoa aqui dentro, mas as pessoas não sabem ouvir. 

Aparentemente, está tudo bem. Permaneço aqui, caminhando nessa dura estrada da vida, e na esperança de que algo bom esteja por vir.

Já é meia-noite, e nada fiz. Não li, nem ouvi nada... Deitarei para dormir, amanhã é outro dia.


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